Estava agora a ler o blog de uma menina (que por acaso tem MUITO a ver comigo) e um dos posts tinha como título "Bipolar?". Isto lembrou-me uma conversa que tive com a minha melhor amiga acerca deste tipo de doenças, e perguntei-lhe se ela achava que eu podia ser bipolar. (este tipo de perguntas entre nós não nos é estranho, de forma alguma). Ela respondeu que não, que era impossível. Imediatamente a seguir, lembrei-me de uma conversa que tive em tempos com a psicóloga da antiga escola. Ela tinha sugerido que eu fizesse um teste de personalidade, e quando ela me disse os resultados, comentou qualquer coisa como "É bom saber que não somos ET'zinhos, e que há mais gente como nós." Já nem me lembrava disto, mas subitamente tudo veio à minha memória, e eu finalmente percebi. Há já algum tempo que procuro informações ocasionais sobre estas doenças... e finalmente percebi porquê. Preciso de saber que algures, existe alguém que sente o mesmo que eu. Sei que apesar de até hoje este blog ter apenas relatos de uma patetinha e a sua relação com a anorexia, eu sou muito mais que isso. Sei que me chamo de gorda, sei que detesto as minhas pernas, mas a anorexia não gira só à volta da gordura, nem só por causa da gordura. No chat é comum perguntarmo-nos por que é que tudo começou, e eu sempre disse que não dava todas as razões, nem o vou fazer aqui. Essa parte de mim é outra história, uma parte privada e escondida e fechada.
Contar-vos como realmente sou nunca esteve nos meus planos... no entanto sinto que tudo quanto eu escrevi até hoje aqui...não me retrata. Pareço uma criança em todos os posts, é algo que me irrita agora ao ler. Acontece que a minha vida NÃO é agradável. E tal como já referi, a anorexia hoje está fora de limites, não me refiro a ela. Tenho muitos problemas com os meus pais, muitas guerras de família. Parte disto não é desconhecido dos professores, e sempre tentaram ajudar...por vezes acabando por fazer ainda pior. Muitas são as vezes que têm pequenas "conversas" comigo... e acabam sempre a dizer o mesmo, "se precisares de alguma coisa diz"... mas com que lata vou eu pedir-lhes ajuda?? Uma vez, uma das professoras apanhou-me a entrar na biblioteca numa hora de almoço, e quis falar comigo. Disse que eu andava com má cara, que tinha emagrecido muito... Nesse momento pensei em dar uma desculpa qualquer e sair dali... Mas acabei por lhe dizer a "verdade", claro que limitada, mas pelo menos o que lhe disse era tudo verdade: andava a dormir mal... Conversas para um lado, conversas para o outro e ela diz-me "vou ligar à tua mãe". Passei-me. Para ela não lhe ligar, tive de lhe prometer que pedia à minha mãe comprimidos para dormir. Podem achar que foi pouco, mas para mim, ter de ''pedir'' à minha mãe é complicado. Quando no ano anterior a minha psicóloga da altura me fez pressão psicológica para pedir à minha mãe vitaminas levei aí uns 3 meses a ganhar coragem. Claro que quando disse à minha ma~e que não conseguia dormir bem, e se ela me podia "arranjar alguma cosia" ela disse-me "bebe um copinho de leite" X_X Pronto, cumprira a minha parte, e a professora não ia ligar à minha mãe. O problema é que uma semana depois ela encontrou o meu pai... e contou-lhe que eu não andava bem. Portanto, "por um pagam todos" e eu não tenho coragem/lata/vontade de falar com professores. É injusto, tenho uma professora a insistir que se eu precisar de alguma coisa posso contar com ela, mas por um lado ela parece muito distante...
Com amigos e colegas a história também não é muito diferente... Vamos aos melhores amigos... Custa-me ter de lhes mentir por causa da anorexia. Custa-me, a certa altura, desabafar com eles, porque parece que é a única coisa que eu faço. Eu tenho muito mais necessidade de desabafar com eles do que eles comigo, portanto sinto um "desequilíbrio", e acabo por me sentir mal por lhes estar sempre a pedir 'ajuda quase silenciosa'.
Quanto aos amigos, esses tenho eu evitado completamente. Não tenho estado online no MSN, não mando sms (não que mandasse muitos antes...) Não marco encontros, nada. Tenho passado o tempo todo na escola, por causa dos exames. Não só os que já tinha feito, mas também outros que me propus fazer. Basicamente, tem tudo girado à volta de professores, mas agora não me preocupo com eles. Não tenho visto ninguém... à excepção de ontem, que vi dois "meios amigos". Tive uma vontade tão grande de correr para abraçar a rapariga... Mas ao mesmo tempo a ideia que tenho com os melhores amigos surgiu. Fiquei quietinha, sem fazer nada. Disse-lhes olá e assim, e pronto. Mas neste momento, agora, gostava tanto de poder encontrar alguém, ir sair até à praia (coisa que eu DETESTO, mas pronto, que agora me apetece)... Estar com um grupo qualquer de amigos, divertir-me... Mas ... bem, são 23.17... É impossível sair, claro. E amanhã.. tenho tido a minha mãe em casa, amanhã devo sair com ela. É difícil sair quando tenho a minha mãe de férias... E acredito que amanhã já não vou ter essa vontade de sair com amigos. Mandei agora um "olá" pelo 'twitter' à tal rapariga, a única maneira de não ter de ir ao MSN e falar com ela. Eu já não usava o twitter há muito, aliás, criei-o só por causa dela. Ela não me respondeu, talvez tenha saído do computador por um bocado. Acabei por entrar no messenger para ver quem estava... ninguém com quem me apetecesse falar.
É estranho, neste momento sinto uma vontade muito grande de me magoar... Acho que nunca falei aqui... Eu não ''me corto''. Não por essas palavras. Não pego numa lamina ou em algo cortante e magoo-me. Não dessa forma. Geralmente uso um lápis, daqueles que têm uma borrachinha no cimo. Tiro essa borracha e dobro o metal até ficar com uma ponta mais afiada. E arranho-me no pulso esquerdo (sempre). Nunca me cortei seriamente porque sou demasiado cobarde, mas a verdade é que fico extremamente satisfeita quando às vezes me arranho de tal forma que fica marcado, ou até sai um misero de sangue. Mas a grande vantagem em fazer ''arranhões leves''? Não ficam marcados, não dói o suficiente, pelo que arranho-me mais uma vez, e outra, e outra... E então, mesmo sem ficar marcado, o meu pulso começa a arder, arde muito e por muito tempo... mas isso nem sempre me chega. Falta a marca. Apesar de serem arranhões, chamo a isto "cortar-me". Já não faço há 17 dias. Antes fazia-o pelo menos uma vez por semana, às vezes mais. O facto de estar de férias, com a minha mãe em casa, e ter estado calor (apesar de eu normalmente usar casaco, independentemente de marcas no pulso), fez com que eu evitasse ao máximo magoar-me. Agora sinto-me frágil. Preciso de chorar, mas sei que não o vou conseguir fazer. De qualquer forma, já sinto os olhos pesados de sono. O que nem sempre é bom, porque acho que é nestas alturas que cometo as maiores loucuras. Estou demasiado instável, demasiado insegura. Demasiado tudo. Sinto que se ouvisse uma música mais triste era o suficiente para me deitar abaixo, e eu não seria capaz de me levantar. E não consigo estender a mão para alguém me ajudar a levantar.
mata-te. agora.
isto deixou de ter piada.